Barulho de criança no apartamento: como resolver dos dois lados

Domingo, 8h da manhã. No apartamento de cima, alguém de uns quatro anos descobriu que dá para correr do quarto até a sala e pular do sofá. De novo. E de novo. Embaixo, um adulto cansado olha para o teto sem saber se reclama ou se aceita que criança é assim mesmo.

Os dois lados têm razão em parte. Criança faz barulho e isso faz parte da vida em prédio, mas o direito ao sossego vale para todos. O caminho é separar o barulho normal do dia a dia (correr de vez em quando, chorar, brincar) do excesso que se repete em horário de descanso, e conversar sobre ajustes concretos, como tapete, horário e lugar para as brincadeiras mais agitadas.

O que é tolerável e o que passa do ponto

Não existe lista oficial, mas alguns critérios ajudam a medir:

Pelo Código Civil, o morador pode fazer cessar interferências que prejudiquem o seu sossego (art. 1.277), e o condômino não pode usar a unidade de forma prejudicial ao sossego dos vizinhos (art. 1.336, IV). Isso não proíbe criança de brincar. Significa que o barulho que passa do razoável precisa ser cuidado.

Se você é quem ouve: como falar com os pais sem acusar

Pais costumam reagir mal quando sentem que o filho está sendo atacado. Por isso, a conversa funciona melhor quando fala do barulho e do horário, nunca da criança ou da educação dela.

"Oi, sou do apartamento de baixo. Sei que criança tem que brincar e não quero atrapalhar isso. Só queria contar que, aqui embaixo, a correria e a bola chegam bem fortes, principalmente depois das 22h e cedo no fim de semana. Será que um tapete na sala e evitar a bola nesses horários ajudaria? Se quiserem, eu aviso se melhorou."

Há outros modelos de recado no guia carta e aviso ao vizinho. Se a relação é delicada e você não quer se expor, o aviso anônimo do Sem Treta manda o recado por WhatsApp ou e-mail, reescrito num tom gentil pelo Justus, nosso Mediador Digital, sem que os pais saibam quem enviou.

Se você tem filhos: o que fazer quando o vizinho reclama

Receber uma reclamação sobre o próprio filho dói. A primeira reação é se defender. Respire antes de responder, porque o vizinho de baixo provavelmente ouve coisas que você nem imagina: o barulho de impacto atravessa a laje e chega muito mais forte embaixo do que parece em cima (explicamos o porquê em vizinho de cima pisa forte).

O que costuma ajudar:

E, principalmente, abra a conversa. Uma frase que costuma funcionar:

"Obrigado por avisar. A gente não tinha noção de como chegava aí embaixo. Já colocamos um tapete na sala e vamos segurar a bola depois das 21h. Se continuar muito forte em algum horário, me fala direto, tá?"

Mostrar que você se mexeu, mesmo que o barulho não suma de vez, muda a disposição do vizinho. Quem se sente ouvido tolera muito mais.

Quando a conversa não resolve

Se você é quem ouve e já conversou, mandou recado e nada mudou, registre com datas e horários e leve ao síndico por escrito. O síndico pode lembrar a regra aos pais sem dizer quem reclamou e, se houver repetição em horário de silêncio, seguir o que a convenção prevê.

Se você tem filhos e sente que o vizinho reclama de qualquer coisa, mesmo depois dos ajustes, também vale registrar o que você fez e conversar com o síndico. Às vezes o problema é do prédio (isolamento ruim), e não de um dos dois.

Quando a relação já azedou dos dois lados, uma mediação ajuda a sair do "eu contra você" e chegar a um combinado por escrito: horários, tapete, um período de teste. Não é briga com criança, é acordo entre adultos.

Erros comuns dos dois lados

Perguntas rápidas

Barulho de criança correndo em apartamento é proibido?

Não. Criança pode brincar e correr em casa. O que pode ser questionado é o excesso, principalmente em horário de silêncio e quando se repete sem nenhum cuidado.

Vizinho reclamando de barulho de criança: o que fazer?

Ouça sem se defender, faça ajustes simples (tapete, horário, bola fora de casa) e diga ao vizinho o que mudou. Se a reclamação continuar sem razão, registre o que você fez e fale com o síndico.

Barulho de criança no apartamento de cima dá multa?

Pode dar, se a convenção prever e houver repetição em horário de silêncio depois de advertência. Mas multa raramente resolve barulho de criança. O combinado entre as famílias costuma funcionar melhor.

Choro de bebê de madrugada é motivo de reclamação?

Em regra, não faz sentido. Choro de bebê não tem como ser evitado e os pais costumam ser os primeiros a sofrer com ele. Paciência aqui é parte da vida em prédio.

Para todos os tipos de barulho e o passo a passo completo, leia o guia barulho do vizinho: o que fazer. Se o recado precisa ir sem expor ninguém, ou se a conversa já travou e vocês precisam de um combinado, veja o aviso anônimo e a mediação em soluções do Sem Treta.

Este artigo é informativo. O Sem Treta não é escritório de advocacia e não presta serviço jurídico. Para um caso específico, consulte a convenção do seu condomínio e, se precisar, um advogado ou a Defensoria Pública.